TEMOS VAGAS! 2: Triste partida n˚4 – Luiza Branco

Sampauleiro era todo indivíduo que deixava seu local de origem para procurar, em terras de São Paulo, especialmente condições de trabalho e sobrevivência. Esse ser social caracterizava-se pelo constante ir-e-vir, tornando-se um elo entre o Centro-Sul e as comunidades sertanejas. Era o indivíduo que, embora possuísse a propriedade da terra, não dispunha de recursos para torná-la produtiva; era o expropriado; o antigo agregado; a vítima da seca inclemente ou dos desmandos do coronel; o filho rejeitado ou rebelde; o fugitivo da lei ou rígida moral sertaneja; os endividados; a moça violentada; a mãe solteira; o aventureiro; o jagunço sem chefe. O sampauleiro era também um desbravador e, de certo, modo, um modernizador das comunidades do alto sertão.

Ely Souza Estrela

Interferência em fotos de migrantes nordestinos do Arquivo Público do Estado de São Paulo