Permeabilidade Estruturante – processo nº 3 / Isabella Lescure

Com o esqueleto da folha na minha frente, eu pensava em como fazer a releitura dela e construir algo tão abundante em desenhos mas com uma configuração fina e sutil cujas feridas e cicatrizes contassem uma história. Então, usando arame eu comecei a criar uma estrutura. O trabalho mostrou-se exigente ao requerer uma construção minuciosa e paciente. Sem rascunhos para o desenho expandido final, o processo criativo acontece organicamente ao passo que interpreto as necessidades e possibilidades de cada aresta, curvatura e ponto de convergência dos arames. Uso a lona, que é o tecido mais grosso e rígido que possuo e ao mesmo tempo uso o voil que apresenta características completamente opostas – translucidez, permeabilidade, cor clara, poucos fios e flexibilidade. Cada ponto preto feito com tinta, acabamento com lã, bordado no voil e detalhe minúsculo é cuidadosamente realizado pensando também na totalidade da instalação composta por estas peças.