TEMOS VAGAS! 2: Martina Krapp. Collage PROCESOS #2

 

Meu trabalho tem várias etapas. Tiro fotografias, faço colagens e seleciono algumas para passar à tela. Essa passagem da colagem à tela é como um salto, do pequeno (colagens de, no geral, 25 x 25 cm) para a escala do “corpo a corpo” (telas que variam ao redor de 200 x 200 cm), como escala da experiência. Ao chegar na pintura sinto que tenho todas as ferramentas necessárias para diminuir a aterrissagem forçada. Minha pintura tem essas dobras e camadas de investigação, que se acumulam, se sobrepõem ou condensam esse processo. 

A colagem vai se armando com “pedaços” de recortes. A primeira coisa que faço ao escolher uma página de revista, seleção que é determinada por uma cor, é subtrair a figura (na maioria, figuras femininas) e sobre o vazio vou compondo um espaço. Esse espaço tenta conter a ausência da figura subtraída. Nos meus últimos trabalhos de colagem as mãos começaram a aparecer, aparições que estão relacionadas com fotografias que vinha tirando em Buenos Aires, costumo tirar fotos das mãos das pessoas no transporte público. Uma mão pode dizer muitas coisas: do que trabalha uma pessoa, se tem alguma doença, se ela se dedica aos seus cuidados ou não. Nas pinturas medievais cada gesto tinha uma mensagem. Ao longo da história há uma infinidade de manifestações que condensam múltiplos significados.