TEMOS VAGAS! 2: Martina Krapp. Arquitetura Anônima PROCESSOS #1

 

Ao chegar em São Paulo comecei a tirar fotos e me propus a caminhar do bairro onde estou morando, Perdizes, até a Pompeia e estabelecer distintos trajetos. Nesse divagar, tirei vários tipos de fotografias, sem uma ideia específica, talvez como turista deslumbrada. Aos poucos, foi tomando forma um corpo de imagens, que se entrelaçou com outras fotografias que costumo tirar, há algum tempo, em Buenos Aires. Ainda que as fotos não se vinculem diretamente com as pinturas, criam outro tipo de relação, que podem ser formais ou de irmandade. Preciso que elas estejam borboleteando na mesa de trabalho.

Dentre todas as fotografias selecionei estas imagens. A capacidade de convivência entre dois extremos tão marcados. Uma pequena manta que cobre um corpo (as fotos foram tiradas sem a presença de seus moradores, para respeitar a sua intimidade exposta), aos pés de um edifício de luxo insinuam dois esqueletos opostos. Um pequeno pano e uma imensa torre.

Nessas caminhadas, em linhas ziguezagueante, antes da pandemia, surgiram perguntas. Que coisas ou objetos determinam o espaço que alguém habita? Como está demarcado? E o que de tudo que nos rodeia precisamos para habitar esse espaço? Foi inevitável não escavar a memória e o ideal de moradia que construímos à medida que vamos crescendo, e que vai se confeccionando como um quebra-cabeças.

Esta primeira série de desenho chamei de Arquitetura Anônima.